Refúgio - Uma escultura habitável

(Parque da Nossa Senhora da Guadalupe, Braga, Oct. 2020)


ART IN PUBLIC SPACE & SUSTAINABILITY award, promoted by the dst group and zet gallery with the support of IB-S Institute of Science and Innovation for Bio-Sustainability of the University of Minho

Premio Arte em Espaço Público e Sustentabilidade, uma iniciativa promovida pelo DST group e pela ZET Gallery com o apoio do IB-S - Instituto de Ciência e Inovação para a Bio-Sustentabilidade da Universidade do Minho.

Fotos @ Hugo Delgado
Vídeo da Inauguração (@zet gallery)











REFÚGIO is an accessible sculptural space, a shelter in the city that invites us to imagine alternative ways of living and being in the world, open and osmotic towards the natural environment. REFUGE crosses the boundaries of sculpture and architecture, offering the public a place to meet with art as a form of relational awareness, which encourages reflection on the interrelationship between all living species and the positioning of human beings in the world. REFÚGIO is a space conducive to gathering and meditation, which reinterprets the classic form of the cloister with an interior garden, a recurring model in European religious architecture with notable examples in Braga, namely the cloisters of the Cathedral and, in particular, the Monastery of São Martinho de Tibães.
However, REFÚGIO is a sculpture habitable not only by human beings. Its entire structure is also designed to be colonized in an unpredictable manner and without human intervention by species of the local endemic flora and fauna. REFÚGIO is, therefore, a shelter for different species and a meeting place between species. The structure provides an exchange with the external environment, allowing natural light, air and moisture to partially filter into the interior space, while offering shelter from the rain and the sun. Multiple elements, inside and outside the work, allow the nesting of birds. Others, on the walls and ceiling, are filled with fertile soil and planted with species endemic to the region of Braga. These species, among others, will over time colonize the work, in an unpredictable and random way.
Inside the sculpture, from the interior garden to the highest structures, a structure was also made in red thread - according to a practice already established in my recent works: a symbolic cocoon that welcomes and protects the visitor, and that will be progressively colonized by several species of insects, namely arachnids, and by climbing plant species.
REFÚGIO was designed in dialogue with the installation context (the city of Braga and its architectural heritage) and with the available materials (the work was entirely built with unused resources from Bysteel, from the DST group). The final form of the work presented here, initially unpredictable, arises, therefore, from this confrontation, in a logic of upcycling and sustainability that adapts the constructive idea to the available resources.

*PT*


REFÚGIO é um espaço escultórico acessível, um abrigo na cidade que convida a imaginar modalidades alternativas do habitar e estar no mundo, abertas e osmóticas para com o ambiente natural. REFÚGIO cruza as fronteiras da escultura e da arquitetura, oferecendo ao público um lugar de encontro com a arte como forma de consciência relacional, que incentive a refletir sobre a inter-relação entre todas as espécies viventes e a re-imaginar o posicionamento dos seres humanos no mundo. REFÚGIO é um espaço propício ao recolhimento e à meditação, que reinterpreta a forma clássica do claustro com jardim interior, modelo recorrente na arquitetura sacra europeia com exemplos notáveis em Braga, nomeadamente os claustros da Sé e, em particular, do Mosteiro de São Martinho de Tibães.
Todavia, REFÚGIO é uma escultura habitável não só pelos seres humanos. A sua inteira estrutura está concebida para ser também colonizada de forma imprevisível e sem intervenção humana por espécie da flora e da fauna endémica local. REFÚGIO é, portanto, um abrigo para espécies diferentes e um espaço de encontro entre espécies. A estrutura proporciona uma troca com o ambiente externo, permitindo à luz natural, ao ar e a humidade filtrar parcialmente no espaço interior, oferecendo ao mesmo tempo um abrigo da chuva e do sol. Múltiplos elementos, no interior e no exterior da obra, permitem a nidificação de pássaros. Outros, nas paredes e no teto, são enchidos de terra fértil. Para os elementos vegetais de REFÚGIO, foram escolhidas espécies espontâneas endémicas da região de Braga. Estas espécies, entre outras, irão com o tempo colonizar a obra, de forma imprevisível e aleatória.
No interior da escultura, do jardim interior às mais altas estruturas do teto, foi ainda realizada uma estrutura em fios vermelhos – de acordo com uma prática já estabelecida nos meus trabalhos recentes: um casulo simbólico que acolhe e protege o visitante, e que será progressivamente colonizado por várias espécies de insetos, nomeadamente aracnoides, e por espécies vegetais trepadeiras.
REFÚGIO foi concebido em diálogo com o contexto de instalação (a cidade de Braga e o seu património arquitetónico) e com os materiais disponíveis (a obra foi inteiramente construída com recursos inutilizados da Bysteel, do grupo DST). A forma final da obra aqui apresentada, inicialmente imprevisível, surge, portanto, deste confronto, numa lógica de upcyclinge sustentabilidade que adapta a ideia construtiva aos recursos disponíveis.